Aspectos Psicológicos do Lúpus e a Importância da Psicoterapia no Tratamento da Doença!

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), por ser uma doença inflamatória crônica de caráter autoimune, pode afetar vários órgãos e sistemas do corpo humano, sendo os mais comuns os rins, a pele e as articulações.
O Sistema Nervoso Central também pode ser comprometido em pacientes com LES, ocasionando uma série de distúrbios neuropsiquiátricos como deficit de atenção, perda de memória e dificuldade para escrever e pensar.
Crescemos sendo educados para termos saúde, mantendo mente e corpos saudáveis. Todavia, o diagnóstico de uma doença inflamatória crônica, sem perspectiva de cura atualmente, pode despertar sentimentos de tristeza, ansiedade, culpa e o desenvolvimento de quadros psicopatológicos como a depressão e ansiedade, além do retardamento da eficácia do tratamento.
Quais os aspectos psicológicos do Lúpus?
A dor é um sinal de alerta de que algo não vai bem. Em pessoas com Lúpus, as dores chegam a ser crônicas, durando longos períodos. Quanto maior a sensação de dor coexistir com o indivíduo, maiores são as chances de sua resistência física e psicológica se enfraquecer.
A dor possui um caráter físico, mas principalmente subjetivo. Pacientes com dores crônicas costumam se queixar da sensação de frustração e tristeza que a dor provoca, trazendo muitos prejuízos para duas vidas, como o isolamento social e a renúncia a atividades cotidianas (trabalhar, sair com amigos, viajar, fazer atividades físicas…).
A descoberta da doença pode trazer consigo sentimentos de medo, não apenas o da saúde, mas medo do futuro, da perda da vida, sentimentos compreensíveis mas que podem trazer danos à saúde emocional dos pacientes com doenças autoimunes atuando como gatilhos para o estabelecimento de quadros psicopatológicos como a depressão e a ansiedade.
O estresse físico e emocional também tem um importante fator na ativação da doença. Em situações estressantes, o corpo humano produz um hormônio chamado cortisol, que, em grandes quantidades, trazem prejuízos ao sistema imunológico (nosso sistema de defesas) como o aumento da sensação de dor e a ativação de doenças.
Toda pessoa com Lúpus vai ter depressão?
Não. É bastante comum pacientes com doenças autoimunes apresentarem fadiga e distúrbios do sono, sintomas comuns na depressão. Todavia, o diagnóstico de depressão leva em conta não apenas sintomas físicos, mas também emocionais como tristeza prolongada e sentimento de desesperança.
Entretanto, é muito comum pacientes com Lúpus apresentarem quadros de humor depressivo que, quando não tratados, podem potencializar o quadro do LES, pois dificultam a adesão ao tratamento e a aceitação da doença.
Por que há piora da doença nos quadros depressivos ou ansiosos?
Quando ficamos deprimidos ou ansiosos, nosso cérebro sofre influência de nossas emoções. Emoções negativas como a tristeza, ansiedade, culpa e mágoa quando experimentadas de maneira intensa, interferem em nossa capacidade de pensar e resolver problemas, atuar com eficiência ou obter satisfação. Assim, é muito comum a piora no quadro clínico da doença.
Como a psicoterapia pode ajudar quem tem Lúpus?
A Psicoterapia é uma importante aliada para auxiliar no tratamento do paciente visto que o diagnóstico de um acometimento à saúde pode gerar diversas maneiras de viver e interpretar a nova realidade que a doença traz. Assim, a psicoterapia facilita na compreensão dos pensamentos e dos sentimentos que invadem os pacientes com Lúpus ou outras doenças autoimunes, auxiliando-os a identificar pensamentos negativos que não contribuem no processo de tratamento, e atuando de modo a alterá-los, melhorando sua qualidade de vida. O psicólogo atua ainda junto ao paciente no enfrentamento e controle da dor sendo possível reduzi-la a níveis de menor intensidade.
Texto por Carolina Viana Dutra, Psicóloga e Paciente de Lúpus.
@carolinadutrapsi

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