O que mudou após o desmame do corticoide…

Eu sem o uso do medicamento.
Eu sem o uso do medicamento.

É difícil lembrar de alguma droga que tenha tantas aplicações clínicas quanto os glicocorticoides e talvez fique mesmo mais simples listar as doenças ou as situações clínicas para as quais nunca se tentou um tratamento com um glicocorticoide do que o oposto. Devido ao grande imediatismo na resposta, o corticoide ainda é um grande aliado na luta contra o lúpus. Essa gama de aplicações desse grupo de hormônios esteroides deriva do fato de serem os mais potentes agentes anti-inflamatórios conhecidos e tem-se  na lembrança casos em que os efeitos verdadeiramente “milagrosos” dos  corticoides foram observados. Eu mesma, tive a sensação de milagre ao tomar meu primeiro comprimido de corticoide as 18 anos.
Além do uso em muitas e em diversas especialidades, os corticoides são utilizados em preparações variadas, em doses muito diferentes de um caso para outro, por vias diferentes e por tempo de uso não uniforme, o que torna possível uma enorme quantidade de efeitos colaterais. Eu fiz pulsoterapia com corticoide por 4 anos seguidos, e depois algumas vezes esporadicamente quando tinha crise que necessitavam de urgência na resposta da medicação.

Mas o que acontece com o nosso corpo quando o médico decide “desmamar” o corticoide?

Quantas tentativas fracassadas em diminuir a dosagem do medicamento nós passamos, quantas dores aquele desmame causou, quantas aflições? Realmente o corticoide é uma droga, e como tal, nosso corpo fica viciado.
Não consegui encontrar nenhum estudo científico que desmistificasse esse “desmame” e o sofrimento gerado ao paciente. Durante esses 20 anos convivendo com o lúpus, posso falar por mim, e por todas as vezes que desmamei ou que tentei retirar o corticoide. Logo nas primeiras tentativas, eu sentia dor articular, normalmente no pulso e dedos, geralmente era necessário retomar a dosagem e diminuir mais lentamente ainda o uso do remédio.
Foram tantos anos tomando a medicação, que eu acreditava que eu tinha o rosto redondo mesmo, que era super normal de mim. Nesses anos todos eu nunca havia ficado sem corticoide, a primeira vez foi em 2015, achei aquilo fantástico (pois mesmo com 5mg eu ainda tinhas as famosas bochechas de corticoide), estava me achando a pessoa mais magra do mundo.
Outro efeito que notei em mim, foi o prurido, uma coceira dos infernos, que tomava conta do meu corpo todo logo após o banho, ela só foi sumir de vez, depois dos 6 meses sem o remédio. As unhas eram fracas e quebradiças, mesmo com o apoio do cálcio, como eu tomei corticoide a vida toda, achei que as minhas unhas eram assim mesmo, mas, mais uma vez eu estava enganada, minhas unhas são inquebráveis, e só pude perceber isso um ano após a retirada do medicamento.
Operei de catarata aos 29 anos, em decorrência do uso excessivo do medicamento, mas eu tenho fé que cada vez mais os médicos diminuirão o uso, cada vez mais aparecerão drogas melhores, capazes de poupar nosso corpo do uso do corticoide.
Estou em remissão desde novembro de 2016, quando fiz uso do biológico Mabthera. Mas depois falo sobre os biológicos.
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