Ômega 3 e Lúpus

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Muito tem se discutido sobre a suplementação de Ômega 3 (w-3)e melhora dos sintomas do Lúpus Eritematoso Sistêmico. A mídia vem nos bombardeando a todo momento com promessas de curas e as grandes indústrias nos convencem dos inúmeros benefícios, mas algumas questões devem ser discutidas e alertadas.

Bom então vamos lá… As ações antiinflamatórias e antiagregante plaquetárias vulgo “afina o sangue”, são somente uns dos benefícios do Ômega 3 na dieta diária. Tem-se indicado bastante a suplementação de w-3, devido o risco aumentado do paciente com LES desenvolver doenças cardiovasculares e complicações metabólicas como hipertensão e diabetes. Algumas pesquisas mostraram que a suplementação de w-3 em pacientes com nefrite lúpica, obteve uma melhor resposta de remissão, a melhora da proteinúria foi considerável nos pacientes suplementados em contrapartida com os pacientes não suplementados.

A inflamação já comum nesses pacientes está ligada com a atividade da doença e que o w-3, poderia está associado ao tratamento convencional para a diminuição dessa inflamação. A suplementação se torna importante, visto que nossa alimentação atual contém altos níveis de Ômega 6 e 9 que em contrapartida ao ômega 3 são pró-inflamatórios (aumentam/promovem a inflamação), esses alimentos que tem como fontes alimentares principalmente as carnes vermelhas e alimentos ricos em gorduras saturadas, daí mostra-se a importância de um acompanhamento nutricional desses pacientes, para que venham-se a criar estratégias de saúde que auxiliem o tratamento médico na remissão da doença.

No entanto, ressalto que “nem tudo que reluz é ouro”, nem todos os pacientes lúpicos podem tomar as doses de recomendação preconizadas pela OMS (Organização Mundial da Saúde) de no mínimo 2 gramas de w-3 suplementado (cápsulas, drágeas, gomas, etc) por dia. Os pacientes que apresentam algum distúrbio da coagulação como as trombofilias, síndrome do anticorpo antifosfolipidio e outras condições. O uso de w-3 deve ser bem avaliado pelo profissional de nutrição junto com o acompanhamento médico para discutir o risco benefício da suplementação, porém a princípio o consumo de w-3 advindo da alimentação pode e deve ser incentivado com o consumo de azeite extra-virgem, castanhas, peixes, linhaça e outros, visando à melhora do bem-estar de saúde, imunidade e outros.

É essencial uma orientação individualizada, o que é bom para seu vizinho nem sempre servirá para você e o contrário também poderá acontecer, você poderá estar colocando sua saúde em risco, então sempre converse com seu médico e procure um profissional de Nutrição.

Fontes de Pesquisa:

Calviello G, Su HM, Weylandt KH, Fasano E, Serini S, Cittadini A. Experimental evidence of -3 polyunsaturated fatty acid modulation of inflammatory cytokines and bioactive lipid mediators: their potential role in inflammatory, neurodegenerative, and neoplastic diseases. Biomed Res Int. 2013;2013:743171.

Trebble T, Arden NK, Stroud MA, Wootton SA, Burdge GC, Miles EA, Ballinger AB, Thompson RL, Calder PC. Inhibition of tumour necrosis factor- and interleukin-6 production by mononuclear cells following dietary fish-oil supplementation in healthy men and response to antioxidant co-supplementation. Brit J Nutr. 2003;90:405–12.

Hong S, Gronert K, Devchand P, Moussignac RL, Serhan CN. Novel docosatrienes and 17S-resolvins generated from docosahexaenoic acid in murine brain, human blood and glial cells: autocoids in anti-inflammation. J Biol Chem. 2003;278:14677–87.

Escrito por:

Cristiane Souto Almeida – CRN 16425/P

Nutricionista Clínica-Especialização em Fitoterapia

Mestranda em Saúde Coletiva – UECE
Para o site A Menina e o Lúpus
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